O "Diabetes Mellitus" é uma doença caracterizada por um amento da glicemia ("açúcar no sangue'). É uma doença crônica, ou seja, até o momento não existe cura definitiva para o problema. Mas isto não significa que a Medicina não tenha avançado no tratamento dos diabéticos! Hoje em dia, é perfeitamente possível conviver bem com a doença e evitar suas tão temidas complicações: cegueira, problemas renais (levando à necessidade de hemodiálise ou até mesmo transplante), problemas nos pés (feridas e amputações), doenças cardíacas e neurológicas (infartos, "derrames", dores nas pernas) e disfunções sexuais (impotência).
Muitos estudos já mostraram que o bom controle das taxas de açúcar (glicemia) desde o início da doença, associado à adoção de um estilo de vida saudável, é muitas vezes suficiente para prevenir as complicações. Para atingir este objetivo, o médico e o paciente precisam formar uma parceria: quando cada um faz a sua parte, tudo caminha bem! Portanto, se você é diabético ou conhece alguém que seja, veja abaixo o que todo diabético deve fazer e saber sobre sua doença para que o tratamento tenha sucesso:
1) Conhecer o valor de sua "Hemoglobina Gilcada" (HbA1c): é um exame de laboratório que reflete a média da sua glicemia nos últimos 3 meses, ou seja, é o principal parâmetro que o médico utiliza para dizer que a doença está bem controlada. Para a maioria dos pacientes, valores entre 6,5% e 7,0% são considerados adequados. Idosos, crianças e pacientes com outras doenças podem ter metas diferentes! Quando seu médico modifica algumas medicações ou recomenda que você faça alguma dieta ou exercício, é buscando melhorar este valor. Pergunte ao seu médico qual seu valor atual e sua meta!
2) Manter-se no peso adequado. Se estiver acima do peso, iniciar um esforço verdadeiro para perder 5 a 10% do peso. Mesmo pequenas mudanças podem melhorar bastante o controle da glicemia. Converse com seu médico sobre isso.
3) Abandonar o sedentarismo: não é necessário entrar na academia ou virar atleta! Fazer uma atividade física regular e prazerosa (exemplo, caminhada) pelo menos 3 vezes por semana durando pelo menos 30 minutos já é suficiente.
4) Tornar a alimentação mais saudável: evitar doces, açúcar e carboidratos em geral. Veja detalhes em nosso artigo anterior.
5) Tomas as medicações (e aplicar insulina, se for o caso) nas doses e horários corretos, conforme determinado na sua prescrição ("receita"). Nunca abandonar algum remédio ou modificar as doses e horários por conta própria, sem o conhecimento do seu médico. Se você acha que algum deles está te fazendo mal, causando algum efeito desagradável, que os horários estão complicados, ou mesmo que algum deles está muito caro e você não consegue comprar, converse com seu médico para saber se existem alternativas!
6) Manter a pressão arterial e os valores de colesterol e triglicérides dentro das metas! Assim como no caso da hemoglobina glicada, cada paciente tem uma meta, que deve ser atingida para evitar as complicações.
7) Realizar exames periódicos: uma vez por ano, todo diabético deve fazer uma consulta com oftalmologista (para exame do "fundo de olho" e detecção precoce de problemas na retina), um exame de urina (para detectar precocemente possíveis problemas renais) e um exame dos pés (avaliação da sensibilidade e pulsos).
8) Cuidar dos pés. Evitar sapatos apertados, tratar toda e qualquer micose ("frieira") ou unha encravada, não "fazer o pé" em qualquer local. Caso já tenha alguma diminuição da sensibilidade, os cuidados devem ser reforçados: não lavar os pés com água muito quente, olhar os pés e dentro dos sapatos todos os dias. Se aparecer alguma ferida, procurar algum serviço especializado sem demora.
9) Parar de fumar. Fumo e diabetes é uma combinação perigosa para a saúde do seu coração e de suas artérias. Além disso, procure refletir sobre os benefícios que você tem ao parar de fumar. Hoje em dia também existem alternativas medicamentosas para ajudar a largar o cigarro.
O conhecimento e a informação são muito importantes no tratamento de qualquer doença crônica. Ninguém quer ir ao médico nem tomar medicações diariamente (às vezes várias vezes por dia) quando não sabe pra que serve tudo isso, muitas vezes quando nem está sentindo nada. Portanto, se você é diabético, se informe. Seja parceiro do seu médico. Se você não é, mas conhece alguém que seja, repasse a informação.
E lembre-se: cuidar desde o início é a melhor estratégia! Diabetes é uma doença muito comum, e muitas vezes não causa sintomas! Algumas pessoas têm um risco aumentado de ficarem diabéticas, mesmo que pareçam saudáveis e não sintam nada. Os principais fatores de risco são: idade acima de 45 anos; sobrepeso e obesidade; história familiar (parentes com diabetes); sedentarismo; hipertensão arterial ("pressão alta"); antecedente de diabetes na gestação ou mulheres que tiveram filhos com mais de 4 kg. Para calcular seu risco, acesse: www.telessaudesp.org.br/programa/diabetes/riscoDiabetes.aspx.
Prevenção e Cuidado: garantia de viver mais e melhor!