Nas últimas décadas houve um crescimento progressivo da obesidade infantil atingindo cerca de 10% das crianças e 17% dos adolescentes brasileiros, chegando a quase 20%, em alguns países como nos Estados Unidos. Ela está presente em todas as classes sociais e já se tornou um problema de saúde pública. Isto decorre da maior oferta calórica sem que haja um gasto energético equivalente. Na faixa etária pediátrica, muitos estudos demonstram que a principal causa decorre do aumento do consumo de alimentos ricos em carboidratos e gorduras, como salgadinhos e guloseimas cada vez mais utilizados nos lanches e refeições rápidas. A isto soma-se a diminuição do gasto energético devido ao maior tempo em atividades de lazer como televisão, video-game e computador. Além destes fatores alimentares e comportamentais, há a predisposição individual, decorrente de interações genéticas que determinam um menor gasto energético, muitas vezes responsáveis pela obesidade familiar.
A preocupação com a criança obesa decorre das inúmeras complicações que podem ser consequências desta situação. Dependeno do grau da obesidade podemos ter 5 -25% de diabetes ou alterações dos valores de glicemia, 20-40% de hipertensão, 15-20% de aumento do colesterol e triglicéridas, 35-50% de síndrome metabólica, e outras complicaçõs cardiovasculares, respiratórias e ortopédicas, além dos problemas psicológicos e socias. Muitas vezes, uma criança de aspecto saudável pode apresentar sobrepeso ou até mesmo obesidade sem que os pais percebam esta condição. Assim o acompanhamento médico é fundamental para o diagnóstico através de índices e curvas que são ajustadas para a idade e altura.
No entanto, o mais difícil desta situação é o tratamento e manutenção que requer a participação e envolvimento de toda a família. Para isso o acompanhamento por uma equipe multiprofissional, com médicos, nutricionistas e psicólogos, é fundamental para o seu êxito. Cada caso deve ser avaliado individualmente, mas sempre começando com a reeducação alimentar da família como um todo, ou seja, o prato e a dispensa da casa vão ser modificados para todos. Não será necessária uma dieta com restrições e proibições, mas sim um novo plano alimentar com qualidade e quantidades corretas. Associado a isto, o aumento de atividade física também deve ser estimulado, através de esportes e brincadeiras com amiguinhos ou pessoas da própria família.
Quando toda a família se propõe a seguir estas mudanças, a criança se sente segura e estimulada para prosseguir, consegue visualizar e identificar nos pais estas mudanças de maneira simples e fácil sem parecer um castigo ou tratamento.
Prevenir a obesidade infantil é a melhor forma de evitar inúmeras complicações futuras, e praticando estas mudanças em família o resultado é muito mais eficaz e prolongado.