Vita Endocrinologia & Metabologia
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LIRAGLUTIDA: Uma Nova Perspectiva no Tratamento do Diabetes
(Dra Ana Priscila Soggia)
A terapia baseada na ação dos hormônios intestinais denominados incretinas, cujo principal representante é o GLP-1, começou a ser utilizada para tratamento do Diabetes tipo 2 em 2005. A melhora do controle glicêmico ocorre uma vez que o GLP-1 aumenta a produção de insulina pelo pâncreas após a refeição, inibe a secreção do hormônio glucagon, retarda o esvaziamento gástrico e suprime o apetite.
Os estudos realizados em 2002 demostraram o benefício do uso do GLP-1. No entanto, seu efeito hipoglicemiante foi transitório devido a sua rápida degradação perdendo seu efeito minutos após a sua administração. A partir daí passaram a ser estudadas medicações análogas ao GLP-1 com tempo de ação prolongado.
O primeiro análogo de GLP-1 a ser utilizado na prática clínica foi a Exenatida, retirada da saliva de um lagarto(Heloderma suspectum) com administração subcutânea, duas vezes ao dia, apresentando como efeitos colaterais náuseas em 57% dos pacientes, com uma taxa de abandono elevada de 20%.
A liraglutida também administrado por via subcutânea pode ser utilizado uma vez ao dia. A eficácia clínica da Liraglutida foi comprovada por vários trabalhos, com queda média de hemoglobina glicosilada de 1%. Tal eficácia, ao contrário de outras terapias, acompanhou-se de perda significativa de peso, que foi maior quanto maior a dose utilizada. A ocorrência de náuseas, vômitos e diarreia foi de 10-40% e de hipoglicemia de 10%. A incidência de pancreatite, foi de 7 casos em 3900 sem relação causal até o presente momento.
A Liraglutida é vendida na forma de caneta com marcação de 0.6,1.2 e 1.8 mg. A dose inicial deve ser 0.6 mg antes do café por 7 dias, depois 1.2 mg e, se houver necessidade, pode ser aumentada para 1.8 mg após 7 dias .
Esta droga pode ser mais uma perspectiva nos diabéticos tipo 2 em que ainda não conseguimos atingir Hemoglobina glicada <7% e que precisam perder peso, porém ainda com custo alto e através de injeção. Não pode ser utilizada em quem tem problema com esvaziamento gástrico ou insuficiência renal.